O currículo da escritora espanhola Eva Martínez é longo: professora, terapeuta e formadora de formadores no Institut de Ciènces de l’Educació (ICE) da Universitat Autónoma de Barcelona (UAB) e diretora pedagógica da Associação ARAE, em Barcelona.

Especialista em educação emocional, Eva defende a literatura como uma maneira de trabalhar habilidades socioemocionais nas crianças. Especialmente, os contos e as fábulas. É coautora do livro Emociones y familia: El viaje empieza en casa(Emoções e família: a viagem começa em casa, em tradução livre) e Bajo la piel del lobo: acompañar las emociones con los cuentos tradicionales (Debaixo da pele do lobo: acompanhar as emoções com os contos tradicionais).

Eva Martinez costuma dizer que não sabe se escolheu a Educação ou se a Educação a escolheu: desde criança, brincava de ensinar suas bonecas imitando os trejeitos de suas próprias professoras. Já a decisão pela psicologia foi tomada de maneira mais racional. “Às vezes, eu me dava conta de que a escola é um lugar que não te ajuda a crescer emocionalmente”, reflete a educadora. “É um lugar em que se comportar bem é um valor apreciado, em que tirar boas notas é bom, mas quando uma criança se comporta mal, é punida”.

Defensora do direito das crianças de expressarem seus sentimentos, inclusive os ruins, Eva é terminantemente contra as histórias que só mostram personagens perfeitos e terminam bem, como os contos de fadas que sofreram uma espécie de higienização: histórias que foram adaptadas para que só tivessem personagens com sentimentos bons, eventos que não são difíceis de serem explicados para as crianças, mulheres delicadas e homens corajosos.

“Esse tipo de história gera efeitos negativos na formação da pessoa. É muito difícil para um homem se mostrar frágil, se sentir como uma princesa, porque ele não foi educado para isso, não foi essa referência de homem que ele teve. Precisamos pegar contos que mostram os seres humanos como humanos de verdade”, disse ela durante sua participação na mesa “Embaixo da pele do lobo – temos que ler os clássicos?” no Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura na 1ª infância, realizado pelo Instituto Emília e a Comunidade Educativa CEDAC, em parceria com a Fundação Itaú Social e o Sesc São Paulo.

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