Lara Meana coordena projetos de promoção da leitura e de formação de mediadores pela equipe TresBrujas, desenvolvendo materiais como o guia Rutas de Lectura. Com o incentivo à leitura, surgiu a vontade de escrever e, em 2013, chegou a publicar o livro-álbum Maya e Selou (editora SM Brasil). Acredita com veemência no poder da palavra escrita — e falada.

“Essa voz, que nos envolve com cantos e contos, que nos narra, que nos lê, é a que nos conduz logo aos livros, que nos conquista, que nos engancha nas histórias, que nos faz leitores. Nos proporciona o caminho e a companhia durante o caminho”, diz Lara, que falará mais desse tema na oficina Eu leio, você lê, nós lemos, no dia 13 de março, durante o Seminário Internacional Arte, Palavra e Leitura na Primeira Infância, realizado no Sesc Pinheiros, com curadoria do Instituto Emília e da Comunidade Educativa Cedac.

A leitura compartilhada “é um ato de amor”, ela define. “Rompe essa desigualdade adulto-criança que está instaurada e nos permite nos comunicar de outra forma.” Ela vê a sociedade atual pouco interessada em uma “comunicação real”, que requer tempo, pausa, escuta. A comunicação que se sobrepõe é a funcional: “Faça isso, termine aquilo, temos que ir ali, não se comporte assim”. “Há pouco espaço para contarmos o que temos feito, como temos nos sentido, para analisar o que aconteceu ao nosso redor. A literatura nos oferece esse tempo e esse espaço. Um momento para compartilhar sem que tenha que servir para nada.”

E é isso que ela recomenda a pais e professores: momentos de leitura em voz alta que vão além do funcional, sem tarefas posteriores. Segundo a especialista, essas situações devem ocorrer durante todas as etapas educativas, não apenas nas iniciais. “Assim, atuaremos como modelos, e eles aprenderão e ler em voz alta nos imitando, de forma natural e voluntária, sem forçar.” O maior dos conselhos aos adultos, entretanto, é bastante simples e poderoso: sugere que escutem as crianças, “pois logo se darão conta de que, em muitas ocasiões, são capazes de ler de uma forma mais rica do que nós, adultos”.

Leia a entrevista com Lara Meana no Blog da Letrinhas